“E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés; E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos; Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se.

E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças. E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. Mas ele se indignou, e não queria entrar.

E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos; Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.

E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas; Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.” Lc 15:21-32

O evangélico, por natureza, tende a temer o pecado. Obviamente, não se trata do temor como o para com Deus. O cristão tem um verdadeiro medo do pecado. Um medo tão incontrolável, que o faz pecar ainda mais. Tomei o texto do filho pródigo como exemplo, pois sempre que o pegamos, analisa-se o lado do filho que partiu. Mas, e o filho que ficou? Porque ele ficou? Porque ele teve tal reação com a volta do irmão? É sobre isso que falarei. E, é claro, dando a minha visão, tentando contextualizar com os tempos de hoje.

Na parábola do filho pródigo, o irmão que ficou não consegue aceitar a recepção dada ao irmão que partiu. Ele se sente indignado e injustiçado, pois ele, o filho bom, não partiu e ficou cumprindo as ordens de seu pai. E como o filho mau, que partiu, gastou toda a sua parte da herança, fez o que bem entendeu, e quando voltou, ganhou uma festa? O filho mau merece e o filho bom, não? Que injustiça, não?

Não! Cruel atitude do suposto “filho bom”, que mesquinhamente exigiu uma recompensa por bom comportamento. E fez ainda pior: Queria um julgamento pesado contra o próprio irmão. Afinal, ele era o mau da história. Ele que foi ao mundo e pecou.

Mas sabe o que enxergo no fundo dessa história? Que o filho que ficou tinha o coração idêntico ao do seu irmão. Um coração que desejava conhecer as coisas lá fora. Mas ele ficou, esperando que com essas atitudes, fosse recompensado pelo pai. E quando viu que o seu irmão, que fez o que ele desejava, voltou e foi recebido com festa, indignou-se. Afinal, tratava-se de mais um caçador de recompensa, como muitas vezes somos eu e você.

Muitas vezes deixamos coisas nos corroerem por dentro, a ponto de nos consumirem. Desejos, vontades, curiosidades. Coisas do ser humano. Mas entramos em uma batalha invencível contra nós mesmos. Lutamos cegamente, esperando que essa luta nos traga alguma recompensa. Não digo aqui que devemos fazer todas as nossas vontades. Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm. Mas o que adianta compensarmos nossas vontades com outras vontades? Qual a diferença do irmão que partiu para o irmão que ficou? O pai os tratou com diferença? A vontade corrompeu de tal forma o irmão que ficou, que ele julgou o seu próprio irmão. Enquanto o irmão que partiu fez o que desejava, teve suas conseqüências, que vale lembrança, e voltou com humildade e arrependimento.

Deixemos de ser como o irmão que ficou. Não façamos as coisas apenas porque esperamos algum tipo de recompensa. E também não sejamos como o irmão que partiu. Por mais que tenha aproveitado, tudo teve suas conseqüências. Sejamos pessoas conscientes, porém, entendendo que o pecado é uma possibilidade. Consumir-se para não pecar, é pecar mais ainda.

Abs,

Rodrigo Gomes (Tato)

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Sobre Rodrigo Gomes

Um apaixonado por Jesus e que quer, cada vez mais, tornar-se semelhante a Ele. Buscando um coração justo e sincero, e o amor ao próximo.

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  1. Muito bom o blog de vocês. Já votei lá em vocês na categoria Religião.

    Abraços,

    Vida em Sociedade: Boas Maneiras, Virtudes Humanas e Cristianismo para a Vida Cotidiana
    http://www.vidaemsociedade-sa.blogspot.com/

  2. Tia Nancy disse:

    Rô, ops. “Tato”…rsrsrsr
    Que bonito e honrado o caminho que tens seguido. Tenho orgulho de escutar sair da sua boca a palavra “tia”.
    Tato, nao sou a pessoa mais indicada pra falar de religião, mas a maturidade tem me feito “tentar” agir com o meio termo entre o filho prodigo e o filho que ficou, “tentado” agir com justiça, “tentado” nao julgar,”tentando” nao pecar. Digo “tentado”, pois sou humana e passivel de erros. Mas estou “tentando”.
    Parabéns! Da sua tia orgulhosa.

  3. Ivan Lucas disse:

    Que o nosso maior tesouro esteja nos céus =D. Post maneiro!

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